segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

O novo livro organizado por mim e pelo querido amigo Rodolfo Fiorucci está na base SUDOC, da França. Ela reúne mais de dez milhões de obras e documentos daquele país e do mundo todo. 
http://www.sudoc.abes.fr/DB=2.1/SET=2/TTL=3/PRS=HOL/SHW?FRST=3

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Costumes em comum. Estudos sobre a cultura popular tradicional, de E. P. Thompson

Esta obra é, indubitavelmente, um dos maiores clássicos da historiografia contemporânea. Inúmeras vezes, lendo artigos, revistas ou mesmo outras obras, me deparava com o livro do historiador britânico E. P. Thompson. Resolvi que já era tempo de conhecer o volume como um todo e fugir da tentação de ler fragmentos cujos títulos me pareciam mais aprazíveis. Em primeiro lugar, trata-se de um livro muito bem escrito e embasado em extensa pesquisa bibliográfica e de fontes. Os temas foram divididos em 08 capítulos sendo destaque, no meu ponto de vista, os intitulados "Tempo, disciplina de trabalho e capitalismo industrial" e "A venda de esposas". No primeiro deles, Thompson demonstra como a fábrica rompe com a estética e com a compreensão que as pessoas possuíam acerca do tempo e do espaço. No outro, demonstra a prática de venda de esposas na Inglaterra, fato que chocava os vizinhos franceses. Concomitantemente, o autor consegue escrever sobre um tema eminentemente econômico e outro que passa pelas vias da cultura dos cidadãos britânicos daquele período. O livro de E. P. Thompson conta ainda com uma galeria de imagens que servem para ilustrar as temáticas explanadas pelo historiador. Um livro para aqueles que desejam aprender um pouco mais sobre o universo fabril mas também sobre rituais musicais e venda de esposas. Leitura essencial para conhecer melhor as dinâmicas deste período revolucionário.

Forjando a democracia: a história da esquerda na Europa, 1850-2000, de Geoff Eley.

O livro do historiador britânico Geoff Eley é um daqueles trabalhos que refletem anos de pesquisa e dedicação a um mesmo tema. Escrito ao longo de 20 anos, a obra que versa sobre a evolução da esquerda na Europa foi apresentada ao público brasileiro pela Fundação Perseu Abramo, em 2005. Composta de 27 capítulos que se desdobram pelas 766 páginas, a obra apresenta o panorama das lutas, derrotas e conquistas dos movimentos de esquerda ao longo do tempo. O autor se dedica a destrinchar as lutas intestinas entre socialistas, comunistas e anarquistas além de traçar um cenário sobre a lenta emancipação das mulheres, desde o universo das fábricas até o terreno da política. De acordo com ele, os movimentos de esquerda tiveram um papel fundamental nas conquistas de direitos além de representar um arauto de defesa da democracia. Geoff Eley não contorna o fantasma do stalinismo que, para muitos, representa terreno nebuloso da história do movimento comunista. Pelo contrário, aponta os crimes cometidos por Stalin e seus asseclas e demonstra como este período parece desviar a trajetória do comunismo por uma senda que não era a dele. A descrição dos embates contra fascismo e nazismo ao longo das décadas de 1930 e 1940 constituem pontos fortes da obra, muito bem fundamentada no que diz respeito à historiografia e às fontes. Aliás, neste último aspecto, o leitor encontrará uma densa e longa lista de obras para consultar, caso seja instigado a se aprofundar em alguma temática. Para o estudioso dos movimentos de esquerda e para aqueles que desejam compreender melhor o período esta obra parece ser uma excelente companheira.

Uma tragédia francesa, de Tzvetan Todorov.

O livro de Tzvetan Todorov, "Uma tragédia francesa" foi lançado no Brasil pela Editora Record em 1997. Trata-se de uma obra interessantíssima em que o famoso escritor delineia minuciosamente o período que se segue à invasão da Europa pelas forças aliadas em junho de 1944, conhecido como dia D. O desembarque na Normandia desencadeou uma série de levantes populares contra as forças de ocupação que, em retirada, vingavam-se da população indiscriminadamente. Todavia, a história sobre a qual Todorov se debruça é ainda mais pungente porque ocorre em uma pequena cidade do interior, longe, portanto, do epicentro dos acontecimentos. Saint-Amand Montrond é uma vila onde residiam cerca de 10.000 habitantes, localizada no coração da França. Os moradores de Saint-Armand que pertencem à resistência francesa entenderam que deveriam rebelar-se contra as forças de ocupação imediatamente após a invasão do continente pelos Aliados. A partir de então, uma série de ações são tomadas e resultam em uma tragédia que envolve vítimas da sociedade civil. Mulheres, crianças e judeus da cidade foram vítimas dos alemães bem como alguns colaboracionistas, enforcados pelos combatentes. Na conclusão, Todorov presta uma homenagem àqueles que de uma maneira menos direta terminam por fazer o bem a seu semelhante: "Nos grandes momentos da história, os heróis são necessários à pátria. Mas é ao longo de toda a sua existência que as comunidades humanas têm necessidade de portadores dessas virtudes humildes e cotidianas. E é a presença deles, na trágica história da libertação de Saint-Amand, que lança algumas luzes de esperança".